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Braga prepara novo ciclo de crescimento económico assente no conhecimento, inovação e especialização

Braga prepara novo ciclo de crescimento económico assente no conhecimento, inovação e especialização

Depois de uma década de forte crescimento económico, Braga prepara uma nova etapa da sua estratégia de desenvolvimento, com o objetivo de consolidar os resultados alcançados, ganhar escala e reforçar a especialização em setores de elevado valor acrescentado.

Braga está preparada para entrar num novo ciclo de crescimento económico, dando continuidade ao percurso desenvolvido ao longo dos últimos anos, mas reforçando a aposta no conhecimento, na ciência, na inovação e na tecnologia.

Luís Rodrigues, administrador executivo da InvestBraga, destacou, em entrevista ao Correio do Minho e Antena Minho, que o desafio para os próximos anos passa por consolidar o trabalho realizado e criar condições para que a economia do concelho possa crescer com maior escala e especialização.

“Mais do que mudar, passa por consolidar o trabalho que tem vindo a ser feito, dar-lhe escala, dar-lhe especialização em alguns casos, mas, acima de tudo, dar continuidade ao trabalho”, afirmou Luís Rodrigues.

O ponto de partida para este novo ciclo é uma trajetória marcada por uma profunda transformação da economia local. Nos últimos 12 anos, o Valor Acrescentado Bruto das empresas de Braga cresceu 129% e o volume de negócios aumentou 110%. No mesmo período, instalaram-se no concelho mais de 6.500 empresas e as exportações passaram de cerca de 800 milhões de euros para perto de dois mil milhões de euros.

Crescer a partir das competências instaladas no território

A próxima etapa será marcada por uma maior especialização, tirando partido das competências já existentes no território e da proximidade entre empresas, Universidade, centros de investigação e estruturas de inovação.

Saúde e tecnologias da saúde, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologias digitais, inteligência artificial e automação estão entre as áreas identificadas com maior potencial de crescimento. A estas juntam-se oportunidades emergentes em setores como a microeletrónica, os semicondutores, a robótica e a defesa.

“O desafio é perceber como queremos crescer, a partir de que setores e olhando para as competências instaladas no território, onde temos mais massa crítica e centros de competências que se destacam no plano nacional e internacional”, sublinhou Luís Rodrigues.

Esta visão estará refletida no novo Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico de Braga, atualmente em construção, através de um processo

participado por empresas, instituições e outros agentes do território e organizado em torno de áreas como desenvolvimento económico, condições para as empresas, talento e qualificação, inovação, ciência e tecnologia, juventude, startups e scaleups.

Atrair investimento e criar condições para as empresas crescerem

O novo ciclo económico terá ainda uma dupla dimensão: continuar a captar novos projetos de investimento e, simultaneamente, garantir que as empresas já instaladas em Braga dispõem das condições necessárias para crescer, modernizar-se e aumentar a sua capacidade de criação de valor.

“Há duas dimensões que temos de trabalhar. Por um lado, temos de continuar a atrair investimento, mas, por outro, temos de criar condições para que as empresas que já estão instaladas possam crescer, possam escalar, possam modernizar-se”, afirmou o administrador executivo da InvestBraga.

A disponibilidade de espaços para atividade económica, a qualificação e gestão das áreas empresariais e a capacidade de acolher projetos de maior dimensão assumem, neste contexto, particular importância. A par destas condições físicas, será também determinante reforçar os instrumentos de financiamento disponíveis para empresas e projetos com elevado potencial de crescimento.

Conhecimento como motor da economia

A capacidade de transformar conhecimento científico e tecnológico em atividade económica será outro dos pilares deste novo ciclo.

É neste contexto que se insere o Bio-MedTech Hub, uma infraestrutura destinada a aproximar empresas, investigadores e entidades ligadas à saúde, criando condições para acelerar a transferência de tecnologia e apoiar projetos desde as fases iniciais de desenvolvimento até à chegada ao mercado.

A estratégia passa também por continuar a fortalecer o ecossistema empreendedor criado em torno da Startup Braga, garantindo condições para que os projetos nascidos na cidade possam não apenas arrancar, mas crescer, escalar e permanecer no território. Quatro das 16 startups portuguesas financiadas pelo EIC Accelerator referidas na entrevista foram criadas e têm sede em Braga, todas ligadas à saúde e às tecnologias médicas.

A retenção de talento completa este quadro. Para Luís Rodrigues, o desafio já não passa apenas pela capacidade de formar pessoas qualificadas, mas também por assegurar emprego, oportunidades e qualidade de vida que permitam fixá-las no território. “Hoje em dia, o desafio não é apenas formar talento, é claramente fixá-lo, retê-lo”, defendeu.